Resumo
A resistência da minoria e sua coexistência com o grupo dominante é uma das questões mais antigas e marcantes nas ideologias sociais e políticas de vários países árabes. Ela é vista como um aspecto importante no qual se baseiam a segurança, a estabilidade social e o bem-estar da sociedade. Por exemplo, o grupo Imazighen, no Marrocos, tem lutado para ser reconhecido linguística e culturalmente como povo árabe; eles têm resistido a viver como uma minoria sem importância aos olhos do grupo dominante ou como outra pessoa cuja cultura e idioma não estão em conformidade com a evolução relevante e contínua da sociedade. Dessa forma, este artigo pretende investigar a noção de resistência e coexistência da minoria (Imazighen) no grupo dominante (árabes) sob os princípios da abordagem de pesquisa etnográfica. O estudo é realizado na cidade de Ain Taoujdate como área de investigação e opta pela entrevista e pela tarefa de contar histórias como dois instrumentos de coleta de dados qualitativos. Para tanto, foram obtidos dois padrões principais de resultados: com relação à coexistência entre os grupos, os participantes revelaram que, superficialmente, todos os grupos ou subgrupos coexistem entre si e não há conflitos nessa área; entretanto, laços formais e firmes caracterizam sua coexistência no sentido de que as relações próximas são reservadas apenas para os membros do próprio grupo. No que diz respeito à noção de resistência da minoria, as histórias dos entrevistados mostram que a luta secular do Imazighen pelo reconhecimento resulta na oficialização do idioma Amazigh e sua implementação simbólica no currículo escolar; no entanto, esses processos são meras palavras no papel e o Imazighen ainda está sub-representado na maioria das esferas sociais da sociedade marroquina.
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