FORMAS DE VIDA E ESCOLHA DELIBERADA NA ÉTICA TELEOLÓGICA DE ARISTÓTELES
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Palavras-chave

Aristóteles
Formas de vida
Escolha deliberada
Ética teleológica

Como Citar

Amaral, A. (2022). FORMAS DE VIDA E ESCOLHA DELIBERADA NA ÉTICA TELEOLÓGICA DE ARISTÓTELES. Journal of Teleological Science, 2, 1–18. https://doi.org/10.59079/jts.v1i1.177

Resumo

Ao apresentar a felicidade [εὐδαιμονία] no quadro de uma filosofia propriamente humana [ἀνθρωπίνη φιλοσοφία], Aristóteles esclarece igualmente até que ponto qualquer tentativa de aceder a uma compreensão finalística do agir bem [εὖ πράττειν] em vista um bem-viver [εὖ ζῆν] terá de abrir caminho através de um emaranhado compacto de opiniões fluídas e de percepções divergentes quanto à sua natureza e extensão. Por outro lado, tendo em conta o recorte contingencial da acção – não só por ser indeterminado [ἀδιόριστος] o possível percurso do seu desfecho, mas também obscuro [ἄδηλος] o possível desfecho do seu percurso – dificilmente se poderá escamotear o impacto praxiológico da glosada expressão “deliberamos não acerca dos fins, mas acerca dos meios” [βουλευόμεθα δ'οὐ περὶ τῶν τελῶν ἀλλὰ περὶ τῶν πρὸς τὰ τέλη: EN III, 3, 1112b 11-12]. No pressuposto de que a filosofia prática aristotélica compagina um duplo encaminhamento teleológico – um mais vinculado à prática da virtude [ἀρετή], o outro mais enraizado no exercício da deliberação [βούλευσις] –, a noção de fim [τέλος] adquire adensada coloração ética nos múltiplos lances que colocam em jogo a questão fundamental que nos faz interrogar pelo bem propriamente humano [τἀνθρώπινον ἀγαθόν]. Ora, se em Platão a prática da virtude fundada num Bem é o que, no termo da ascensão dialéctica, nos deve tornar finalmente felizes [Res pub., 508 e], já em Aristóteles, por seu turno, importa que a felicidade decorra da finalização de um bem prático [πρακτὸν ἀγαθόν] dito supremo [μέγιστος] não porque esteja “acima” ou para “além” de todos os outros bens, mas porque, ao ser “escolhido-em-razão-de-si-mesmo” [αἰρετός καθ'αὑτό], necessita da mediação [μεσότης] quer de “bens-percebidos-como-tais” [φαινόμενα ἀγαθά] em função dos quais se efectiva a apropriação electiva dos diferentes modos de vida humana [ἀνθρώπινος βίος], quer de condições prudenciais mediante as quais uma escolha deliberada [προαίρεσις] é exercida com base no criterioso ajustamento de uma universalização formal da norma à contingente particularidade de uma situação-limite.

https://doi.org/10.59079/jts.v1i1.177
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